Imagine que você está na praia e protagoniza uma cena de amor com o seu namorado. Horas depois o mundo fica sabendo o que você fez porque um vídeo das cenas “calientes” está na internet. Fato semelhante aconteceu com a modelo e apresentadora Daniella Cicarelli, 26, e o empresário paulista Renato Malzoni Filho, 33, conhecido como Tato, que foram flagrados em uma praia na Espanha, na última semana. O caso foi um dos principais assuntos em rodinhas de bate-papo.
O vídeo foi retirado do ar por violar as regras de uso do YouTube – o site proíbe vídeos com conteúdo erótico e aqueles que violam a privacidade de personalidades. Com exatos cinco minutos de duração o material começa com cenas de beijos e abraços de Cicarelli e Malzoni na areia, mas depois o clima esquenta e é dentro do mar que o namoro continua. Em menos de 24 horas o vídeo foi acessado por mais de 15 mil pessoas.
Outros sites (inclusive páginas de conteúdo pornográfico) já disponibilizam as imagens. A assessoria de imprensa da MTV declarou que não comentará o caso por se tratar de uma “questão pessoal” da apresentadora e a assessoria particular dela declarou que a modelo não irá se manifestar sobre o assunto.
DIREITOS LEGAIS
Até onde vai o direito de privacidade de uma pessoa? E como se defender destes “incidentes”, como o que ocorreu com Cicarelli e Tato? Segundo a advogada criminal Graziella Anjos, o artigo 5º da Constituição Federal não permite a violação da intimidade de nenhum cidadão. “A Constituição é clara e diz que a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas tem assegurado o direito pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”, fala. “Tanto Cicarelli, quanto o namorado podem processar o site e contratar um perito virtual para conseguir rastrear informações de quem colocou o vídeo na rede.”
A advogada diz que todas as pessoas que têm seus direitos violados, mesmo se expondo em locais públicos, estão asseguradas pela Constituição. “A Constituição é maior lei do país e garante todos os direitos do cidadão. Essas pessoas que violam o direito privado de outras podem ser presas e ainda ter que pagar fiança e indenização”.
PERITO VIRTUAL
Se a sua liberdade foi violada e um vídeo seu está sendo reproduzido na internet, a primeira providência a se tomar é fazer um boletim de ocorrência e entrar em contato com o seu provedor de internet. “Geralmente os provedores são as empresas responsáveis pela hospedagem dos vídeos e possuem equipes de resposta a incidentes. Ou seja, a vítima deve entrar em contato com o provedor, reportando o problema à equipe responsável e deve abrir um boletim de ocorrência para ajudar a conseguir as informações do usuário que está disseminando o vídeo”, fala o perito virtual Denny Roger, da empresa especializada em segurança da informação, Batori Software & Security, de São Paulo.
Contratar um especialista em perícia forense aplicada à informática é um dos recursos. “Ele é o responsável por localizar as evidências do crime, identificar as pessoas favorecidas, elaborar um relatório técnico e entregar as informações à polícia. Em outras palavras, buscamos as pegadas digitais deixadas pelos criminosos, desenvolvemos todo o trabalho de rastreabilidade”, conta Roger. “Este profissional possui conhecimentos jurídicos e técnicos para a elaboração de um laudo. A parte jurídica é necessária para que o perito preserve as provas de um crime cometido pelo computador. A parte técnica ajuda a identificar as ferramentas utilizadas, o número de vítimas na internet, as pessoas favorecidas”. (Marcela Benvegnu)
Fonte: http://www.jornaldepiracicaba.com.br/news.php?news_id=36452










