Guerra virtual na porta 80

Equipes de segurança precisam conhecer as armas utilizadas pelo inimigo virtual. Por Denny Roger

As empresas estão vivenciando uma verdadeira guerra virtual. Os inimigos são os funcionários insatisfeitos, concorrentes, crackers etc. Os ataques ocorrem dia e noite. O bombardeio virtual chega em e-mails, sistema de gestão empresarial, pen drives, celulares, sites com conteúdos maliciosos (scripts e vírus), vazamento de informações de uso interno entra outros meios.

No campo de batalha, o inimigo é facilmente detectável. Ele usa tanques de guerra, joga bombas utilizando aviões, lança mísseis e realiza ataques através de submarinos.

Quando se trata do mundo corporativo, o inimigo está dentro da empresa na maioria das vezes. O ataque utilizando o ambiente virtual podem ser difíceis de detectar, especialmente quando originado por um funcionário.

No mundo real os soldados são treinados para atirar no inimigo e lutar durante um combate. No virtual as equipes de TI e segurança da informação (os soldados) não são treinadas para lutar durante a guerra virtual. Pior ainda, em muitos casos não sabem que estão sendo atacados.

Ataques como SQL Injection e Cross Site Scripting são realizados com sucesso e não são detectados pelos soldados da sua empresa. Segundo o MITRE, estas duas técnicas são as que mais exploram vulnerabilidades nas aplicações. Ou seja, os soldados da sua empresa estão preocupados em gerenciar firewalls, antivírus e sistemas de detecção de intrusos. Porém, os ataques estão passando pela porta que está sempre aberta na sua empresa e não é monitorada, a porta 80 (http).

Os soldados do mundo corporativo não foram treinados para se defender de ataques como SQL Injection e Cross Site Scripting. O relatório da Symantec demonstra que 61% das aplicações web estão vulneráveis. O inimigo sabe disso e está utilizando a própria porta 80 para atacar a sua empresa.

Segundo o relatório anual do SANS, as vulnerabilidades nas aplicações estão liderando o ranking de riscos no mundo virtual.

As equipes de TI e segurança da informação precisam ser treinadas para detectar e responder aos ataques nas aplicações. As empresas precisam ser conscientizadas sobre este risco do mundo virtual. Não se esqueça: você precisa conhecer as armas utilizadas pelo inimigo para aplicar a proteção e a detecção adequadas. Não adianta ir para a guerra com uma faca na mão enquanto o inimigo está utilizando um tanque armado com mísseis e metralhadoras.

Denny Roger é consultor independente, membro Comitê Brasileiro sobre as normas de gestão de segurança da informação (série 27000), especialista em análise de risco, projetos de redes seguras e perícia forense. E-mail: denny@dennyroger.com.br.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/seguranca/mente_hacker/idgcoluna.2007-12-19.7450067611/

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